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RECEITA
( Postagem: 20/09/2004 )


RECEITA
Com freqüência aparecem receitas para garantir o crescimento de organizações. Uma sucede a outra alimentando palestras, cursos, livros, artigos de revistas indefinidamente, impulsionando a indústria da literatura administrativa. A receita que não está mudando, permanecendo constantemente como destaque, diz respeito à necessidade das organizações investirem, atraírem, reterem e desenvolverem pessoas com qualidade superior em conhecimento, personalidade e valores humanos.
Quer o faça de forma consciente e planejada ou não, mas a empresa tem influência profunda na vida das pessoas que nela desenvolvem sua atividade profissional. A influência pode ser positiva ou extremamente negativa. É relativamente comum encontrarmos trabalhadores estarem em determinada organização por falta de outra opção para ganhar seu pão. No fim da jornada vivenciam uma sensação de frustração, estresse, pavor. O período do dia vivido junto à família, em lugar de ser de exultação e felicidade é expressão por meio de atitudes da impotência, incapacidade de mudar o curso da vida profissional. Isto é conseqüência, resultado de inúmeras chefias ainda acreditarem que o bom administrador é o que causa medo, se mantém distanciado de seus subalternos. Seu papel se resume na cobrança de resultados a qualquer preço. Num clima com estas características os profissionais competentes não permanecem por muito tempo. É suficiente aparecer outra oportunidade, mesmo que a remuneração seja significativamente inferior que se retiram.
O ambiente de trabalho humano onde a amizade é cultivada retém profissionais de alto nível. Um clima amigo nada tem a ver com leviandade, algazarra. Tudo tem a ver com respeito, partilha do conhecimento, com reciprocidade, eliminando toda e qualquer atitudes de disputa, de busca por mais influência ou poder. Não são todos os profissionais capazes de viver e construir um clima amigo. Depende de características de personalidade, do cultivo de determinados valores e princípios. Nesta perspectiva o Recursos Humanos tem papel fundamental no momento da contratação. Exige-se suficiente capacidade de percepção para identificar os candidatos que tem propensão para atitudes de amabilidade, de fácil relacionamento e entrosamento. Para estes profissionais a disputa é apenas um meio de manter viva a vontade de evolução constante. A cada jogo ganho não é profissional vitorioso que sobe um degrau na escala da perfeição, mas é o grupo, a organização que conquista mais espaço. Um ambiente com estas características induz os funcionários a prestar um serviço de qualidade superior, por ser realizado com o coração donde se originam resultados espetaculares.

Camilo Bordignon - Jornalista e Consultor em Recursos Humanos
E-mail: camilo.b@terra.com.br

 
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