DISCURSO E PRÁTICA
( Postagem: 06/12/2004 )
DISCURSO E PRÁTICA
Festa de fim de ano da empresa é um momento singular para consolidar ou destruir os valores pregados pelo Recursos Humanos, pela direção, pelas chefias. Os tradicionais discursos precisam consolidar, através de argumentos e exemplos, o que a emprega está implementando. As premiações, os destaques devem consagrar os avanços. Por exemplo, se a organização deseja implementar ou está num processo de implementação do trabalho em equipe, os destaques devem ser para grupos cujo trabalho e esforço seguiu esta direção. Se a premiação for para um indivíduo, pode significar a destruição do trabalho de um ano. É no momento da menção honrosa, do destaque, da premiação que a organização diz com todas as letras o que realmente quer, no que aposta.
Atenção e sensibilidade para evitar contradições entre o que se diz e o que se faz nunca é demais. O indivíduo vive constantemente administrando suas contradições interiores: o que o ser humano deseja nem sempre é o possível; atitude e desejo nem sempre são coerentes. Em qualquer organização, também, há incoerências. Evitar, minimizar, administrar as incoerências não é tarefa fácil. As instituições mais cuidadosas e conceituadas convivem com a contradição.
Tomamos como exemplo a instituição mais conceituada, mais respeitada, com maior credibilidade no mundo, a Igreja Católica, também convive com algumas contradições. Os sociólogos Catherine e Charles H. George foram verificar a classe social de 2.489 santos e beatos. Afinal, Jesus chama de bem-aventurados os pobres, adverte que é mais fácil um rico passar pelo fundo de uma agulha que entrar no céu, os próprios documentos da doutrina social da igreja tem demonstrado constante preocupação no sentido de criar estruturas para que a distancia entre ricos e pobres seja reduzida. Ao mesmo tempo denomina como pecaminosas as estruturas que aumentam ou garantem a distância entre ricos e pobres. Contudo, os sociólogos levantaram, através de seu estudo, que somente 5% dos santos provinham da classe mais baixa; 17% da classe média; 78% da classe alta. Tomando apenas os santos proclamados entre o século V e XIII, verificaram que 90% pertenciam à aristocracia. E algumas famílias da aristocracia haviam conseguido colocar no altar meia centena. Neste caso específico e período da história, perguntamos: o que, verdadeiramente, era valorizado, estimado pela instituição chamada Igreja Católica?
Temos a firme convicção que a festa de fim de ano é o momento mais importante, ou ao menos um momento singular para a direção dizer com todas as letras o que deseja, através de palavras e atos. Assim como é um momento de singular importância para aumentar o índice de credibilidade ou perde-la.
Camilo Bordignon
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